RIO - A abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma
Rousseff vai trazer mais incertezas para a economia, principalmente se este for
prolongado e houver manifestações nas ruas. Se não se estender por muito tempo,
pode até levar a uma recuperação mais rápida da economia. Enquanto impera a
dúvida, as famílias vão sofrer mais com desemprego, queda salarial e crédito
mais escasso, afirma Luiz Roberto Cunha.
— Em ambiente incerto, ninguém contrata, ninguém compra — diz o economista.
Recessão ajuda a conter preços, portanto a inflação deve subir menos no ano
que vem. Este ano, vai ultrapassar 10%. Mesmo com a oscilação na cotação do
dólar causada pelo quadro político turbulento, o repasse dessa alta da moeda
americana já está contido pela retração na atividade econômica, diz Cunha.
O Banco Central (BC) já avisou que pode subir ainda mais os juros básicos,
hoje em 14,25% ao ano. Portanto, o crédito que poderia ajudar a compor o
orçamento das famílias, como tem acontecido nos últimos anos, não é solução.
Para o economista Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, a crise
econômica vai se agravar devido ao freio nos investimentos e no consumo. Ele
acredita que o principal mecanismo pelo qual a crise política contaminará o dia
a dia dos brasileiros é a baixa confiança:
— O consumidor vê o vizinho perder o emprego e vai frear mais os gastos. A
crise política tira o farol de empresários e consumidores. Esse farol já estava
quase chegando, mas, com essa mudança, a questão política ganhou mais força.